mitos e verdades

Os 5 grandes mitos da música clássica

As pessoas, todos nos, criamos mitos o tempo todo. No sentido moderno se refere a coisas ou ideias das quais ouvimos falar, não temos confirmação, mas as tomamos como reais ou verdadeiras. A música erudita não escapa a isso e por isto mesmo vou apresentar 5 mitos da música clássica que de tanto serem repetidos alguns acreditam que são verdadeiros.

A música erudita já foi muito popular em seu momento. As pessoas se empurravam e brigavam por um ingresso para ver a última ópera de Verdi. Toda vez que o Niccolò Paganini se apresentava gerava uma espécie de psicose, ele foi o primeiro “rock star” da historia, se utilizava de marketing e cuidava da sua imagem pessoal e da sua fama, tal e como hoje toda estrela faz.

Então por quê hoje a música erudita não é assim tão popular? Em parte porque se elitizou e em parte porque foram-se criando mitos. Se a arte e a música são feitos apenas para uns poucos privilegiados então perdeu o seu propósito, que é ser uma expressão universal que chegue a todos. Quando Mozart criou a “Flauta mágica” foi para passar uma mensagem a toda a humanidade que sobrevivesse ao tempo e não somente para uma elite que a “entendesse”.

O blog Cultura Clássica é uma tentativa de desmistificar a música erudita e por isso vou falar de 5 mitos relacionados a música erudita. Vamos lá!

1-Tem que ser erudito ou sofisticado para gostar e desfrutar de musica erudita

Este grupo de paraguaios que constrói instrumentos com lixo discorda fortemente de você! De fato Mozart compunha concertos para o público em geral. As suas melodias eram muito populares, tanto que Mozart dizia que a sua maior alegria era ver pessoas comuns na rua cantarolando suas composições.

Verdade seja dita, se a música erudita fosse só para gente educada os compositores estariam todos morrendo de fome. A música como expressão universal da arte não impõe limites, ela é para todos. Que você não entenda o que a mulher está cantando não quer dizer que sua emoção não capte o que esta sendo transmitido, como bem descreve o Morgam Freeman no seu papel no filme “Um sonho de liberdade”. Alias, não entender o que está sendo cantado é irrelevante, tenho certeza que muita gente “com estudo” por ai não entende nem metade do que é cantado numa música rock em inglês e nem por isso acham que não estão qualificados para tal tipo de música.

2-Tem que ser rico para se tornar músico

Não precisa. Um violino hoje custa por volta dos 700 reais (um relativamente bom), aprender a tocar é que fica mais caro, mas nada tão caro quanto fazer faculdade de medicina. Pensando bem, o preço de um violino é menor que o de muitos itens de consumo hoje em dia. Um XBox vale ai por volta dos 1000 reais, um PS4 mais de 2000 reais e uma TV de 32 polegadas passa de 1000 também.

3-A música erudita é careta e chata

O cidadão me faz uma afirmação destas e depois assiste um filme com uma música instrumental bacana, vai no google e pesquisa, só para descobrir que era música erudita. Se não me diga quem não gostou de ver V (de vingança) dirigindo uma orquestra imaginaria enquanto explodia o palácio da justiça ao som da Abertura 1812 de Tchaikovsky? A verdade é que a música erudita foi, é e será muito bem utilizada para acompanhar cenas e momentos épicos em filmes. A 7ma de Beethoven acompanhando o discurso do rei, o grande momento em que Tim Robbins coloca uma ária das Bodas de Fígaro em “Um sonho de liberdade” e até a Cavalgada das Valquírias no filme Apocalipse Now, etc, são claros exemplos de música erudita acompanhando cenas épicas do cinema. Se eu continuar o post fica longo de mais, acho que entenderam o ponto.

4-A música erudita não é para todos os públicos, crianças não gostam.

Pois é, mais um mito. Todos nos crescemos ouvindo música erudita nos desenhos animados, cansamos de ver o Pica Pau, o Perna Longa ou mesmo o gato Tom dirigindo orquestras e tocando as maiores composições de música erudita da história. E não são só os desenhos animados antigos que tem música erudita, existem novos e ainda a música erudita é muito utilizada em video games. Existem óperas inteiras para crianças, um exemplo é o barbeiro de Sevilha. As crianças devem ser apresentadas à música clássica. Neste vídeo que deu a volta ao mundo vemos um Flash mob e nele pode-se ver todo tipo de público escutando atentamente, com destaque para as crianças.

5-A música erudita é ultrapassada e fora de moda

Saiba que a música erudita é estudada por qualquer músico sério hoje em dia (na verdade sempre foi). O rock e o jazz surgiram com grande influencia da música erudita. Beethoven foi uma fonte de inspiração forte para muitas composições de música rock e quase todos os grupos de renome já adicionaram instrumentos clássicos na suas músicas ou mesmo fizeram versões sinfônicas. Um deles? Metallica. Fora de moda e ultrapassado? Acho que não cara!

Conclusão

Absolutamente tudo mundo gosta de música clássica. É um engano gigante dizer que não gosta quando tenho certeza que fica arrepiado escutando a 9a Sinfonia de Beethoven. Como sempre digo, tudo mundo gosta de música erudita, muitos não sabem disso e outros tantos gostam mais do que gostariam de assumir. 😉

Desde este humilde blog convido a todos a explorar esse maravilhoso mundo da música erudita.

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  • Gilberto Silva

    Acredito que tudo é uma questão de cultura e tradição. Os povos do lado ocidental do mundo (Américas), não tem a mesma formação e educação cultural e musical típica dos povos europeus e asiáticos. Lá, eles ainda mantém viva a tradição musical. Na china, por exemplo, existem os melhores jovens pianistas, violinistas, etc. e continuam surgindo, dia a dia. Falta incentivo aos jovens. Deveria ser incluído no currículo escolar, disciplina que incentivasse a arte musical, tanto na parte teórica como na prática, com oficinas de instrumentação musical, canto coro, etc. Se, por exemplo, durante uma semana, os alunos dispusessem, pelo menos, 30 minutos do dia, para ouvir uma mesma peça clássica e debater com o professor sobre o autor e a obra, com certeza passariam a apreciar e entender a música clássica e mudar o hábito musical. Mas, o que se vê, é poucas famílias incentivando os filhos a frequentar cursos que só se encontram em conservatórios e outras poucas instituições públicas.