carmina burana

Carmina Burana – O Fortuna, O drama humano.

O Fortuna é uma peça de Karl Orff que para o grande público é um compositor pouco conhecido, porem cuja maior obra “Carmina Burana“, que quer dizer “Canção Vulgar”, ganhou muita fama. Burana era o material das vestimentas dos monges, espécie de pano de lã cru, e é assim porque esta obra se fundamenta em manuscritos medievais escritos no século XIII e encontradas no convento Benediktbeuern na Alemanha. A obra de Orff abarca somente uma parte pequena de todo o manuscrito onde existem poemas e músicas dedicadas a diferentes temas, desde a fortuna, a primavera e a sátira ate o jogo e a bebida.

Boa parte das Carminas foram copiadas sem que seja descrita a forma musical da peça tendo somente umas poucas indicações da música. Os autores eram os chamados monges Goliardos que eram monges “vagantes” e desertores dos estudos eclesiásticos egressados de universidades, desamparados da igreja de Roma e desiludidos devido as decepções sofridas em virtude de comprovar a corrupção do clero.

“O Fortuna” esta dedicada a deusa romana da sorte, que em itálico se escreve “Vortumna” ou “aquela que roda” indicando claramente a natureza cíclica e traiçoeira da sorte. A roda da fortuna é um símbolo mágico, se podemos chamar de alguma maneira, encontrada em várias culturas ao redor do mundo, desde o Tibete até a cultura Greco-Romana, passando por tradições como o Tarô e que vem de tão longe no tempo quanto o antigo Egito e mais ainda perdendo-se nas trevas da historia.

A fortuna é o conceito pelo qual a vida humana se desenvolve de forma caprichosa, ora dando riqueza e prosperidade, ora tirando da pessoa tudo isso dando a impressão de que o homem é escravo desta roda infinita. No antigo Egito num lado da roda estava o deus Horus e simbolizava todo que evoluía (fortuna), pelo outro lado e de ponta cabeça descia Tiphon. Espécie de mecânica perversa da natureza desenhada para escravizar o homem dormido na ilusão das coisas do mundo, do “maia” Hindu. Nas tradições religiosas, o iniciado devia transcender, mediante um elevado estado espiritual todas as fortunas e infortunas da vida, indo alem de tudo, escapando destas leis mecânicas.

O Fortuna é uma obra surpreendente, épica no canto e na música, as vezes até obscura, apocalíptica talvez, porque as duas caras da sorte são a ruína e destruição do homem e nesta obra estão interpretadas de forma magistral.

Quero agradecer a colaboração nesta publicação do meu grande amigo Andrés.

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  • Muito bom, gosto muito de Carmina Burana, e o texto é esclarecedor.

    • Pablo Pagues

      Olá Alexandre, seja bem vindo. Eu também gosto muito desta obra e por isso a inclui aqui no blog.

      Muito obrigado pelo comentario!